Carne animal ou vegetal? Qual é mais saudável?

Artigo inédito do GFI Brasil comparou rótulos de 59 produtos cárneos e comprovou benefícios nutricionais em optar pelas versões vegetais de alimentos como almôndegas, quibes, empanados, hambúrgueres e linguiças.

O mercado de proteínas vegetais e produtos plant-based cresceu significativamente no Brasil nos últimos 5 anos.  Esta expansão de produtos feitos de plantas que mimetizam as características sensoriais de produtos de origem animal viabiliza uma oferta mundial mais diversificada de alimentos, despertando o interesse dos consumidores, atraindo financiamento para pesquisa, e promovendo o mercado de proteínas alternativas. 

Pesquisa conduzida pelo The Good Food Institute Brasil em maio de 2020 permitiu um conhecimento mais detalhado deste público. Metade dos entrevistados reduziram o consumo de carne de origem animal nos 12 meses anteriores à pesquisa.  Dentre estes, 25% incluíram a carne vegetal (análogas ou não às de origem animal) como único ou principal substituto da carne animal no dia-a-dia.

Entretanto, ainda existem poucos estudos sobre as vantagens nutricionais destes produtos em relação aos seus análogos de origem animal, especialmente no que diz respeito a produtos ultraprocessados, gerando dúvida tanto entre consumidores quanto em reguladores. Neste sentido, o GFI Brasil desenvolveu o artigo “Estudo Nutricional: análise comparativa entre produtos cárneos de origem animal e seus análogos plant-based”, comparando a  composição nutricional e os aditivos utilizados nas formulações dos produtos de origem animal com os seus análogos feitos de planta. 

Os resultados demonstram que produtos cárneos de origem vegetal apresentam aspectos nutricionais superiores aos produtos tradicionais com relação a teores de gordura saturada, sódio e fibra.

Os resultados

A análise foi conduzida a partir de dados coletados nos rótulos de almôndegas, empanados, hambúrgueres, linguiça e quibes de origem animal e vegetal, levando em consideração a atualização dos critérios da ANVISA para rotulagem de alimentos embalados. Entre as novas diretrizes que entram em vigor em outubro de 2022, será obrigatório informar no rótulo frontal quando o produto apresentar índices altos de sódio, açúcar e gordura saturada.

Alguns dos resultados favoráveis encontrados foram:

  • Apenas 33% dos produtos de origem vegetal registraram altos teores de gordura saturada e sódio, enquanto 50% dos produtos tradicionais registraram alto teor de gordura e 58% de sódio.
  • 76% dos produtos cárneos plant-based poderão conter alegação nutricional de fonte de fibra, versus apenas 4% dos produtos cárneos tradicionais 
  • A média de ocorrência de aditivos alimentares foi maior nos produtos cárneos tradicionais, chegando ao valor médio de cinco aditivos por produto analisado (5,1). Já os produtos cárneos vegetais, apresentaram valor médio de três aditivos para cada produto analisado (3,1). 

A questão dos alimentos ultraprocessados (AUP)

O conceito de produtos ultraprocessados normalmente traz dúvidas e gera debate entre os consumidores sobre os reais impactos nutricionais, sociais e ambientais atribuídos aos  produtos categorizados como tal. 

Segundo a Classificação NOVA, o termo ultraprocessado é associado a alimentos que passam por processamento industrial, como extrusão, e apresentam altos teores de sódio, gordura saturada, calorias e aditivos alimentares. Entretanto, a produção de alimentos por processos industriais não implica necessariamente em produtos nocivos à saúde. No caso dos alimentos plant-based, muito pelo contrário.

O estudo realizado pelo GFI Brasil evidencia que estes produtos entregam características nutricionais não apenas adequadas mas, em alguma delas, superiores aos produtos tradicionais, como maior teor de fibra, e menores teores de sódio e gordura saturada. Com relação ao teor de proteína, as amostras de produtos plant-based estão de acordo com os critérios da ANVISA, mas há oportunidade de melhorar a porcentagem, a fim de alcançar equivalência em relação aos produtos de origem animal. 

As proteínas são componentes vitais na dieta humana devido aos seus efeitos na saúde e no bem-estar e têm atraído constante atenção devido à crescente conscientização do consumidor em relação aos aspectos de saudabilidade e sustentabilidade. Impulsionadas pelas demandas atuais de consumo, a indústria de alimentos têm empregado técnicas tradicionais e modernas, altamente tecnológicas, para disponibilizar no mercado uma nova gama de produtos análogos aos de origem animal, obtidos exclusivamente a partir de fontes vegetais.

Com o fortalecimento do setor, novos produtos vêm sendo lançados e, com isso, torna-se essencial a atualização do banco de dados dos estudos existentes. Além disso,  é necessário aprofundar o entendimento quanto à coerência ou não da associação de produtos cárneos vegetais com o termo ultraprocessado. Por esses motivos, e visando ampliar a compreensão dos aspectos nutricionais dos produtos cárneos feitos de plantas, o GFI pretende continuar desenvolvendo novos estudos que também avaliem o perfil de aminoácidos e ácidos graxos dos produtos dessa categoria.

É dessa forma, com base em fatos e dados, que será possível avançar no desenvolvimento de produtos cada vez mais nutritivos e elucidar os principais questionamentos relacionados à saudabilidade desses produtos. O objetivo dessa publicação é que também sirva de instrumento para gerar debate no campo científico sobre o tema, fornecendo mais um subsídio para reguladores, pesquisadores, profissionais de alimentos e o público em geral tirarem suas conclusões.

Leia o artigo completo aqui.

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