Agricultura celular: uma solução global para segurança alimentar

Nós estamos empolgados em trazer para você esta redação da convidada Dr.a. Marianne Ellis, Professora Associada a Unidade de Pesquisa em Bioprocessamento do Departamento de Engenharia Química na Universidade de Bath, e co-fundadora da Celullar Agriculture Ltd. A pesquisa da Dr.a. Ellis é focada em design de bioprocessos para aumento de escala na produção de carne limpa.

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No século 21, pessoas ainda morrem de fome. Isso não deveria acontecer. Nós podemos usar tecnologia da agricultura celular para produzir comida, mesmo em terras inférteis.

Vamos pegar o exemplo da Turkana, no norte da Kenya, com uma população de 85.000 pessoas. De acordo com a Humanitarian Response e a Agência de Refugiados da ONU, 17,2% das pessoas nessa região estão criticalmente destrnutidas e outros 3,9% estão severamente desnutridas. Vinte e dois porcento das crianças possuem crescimento atrofiado. Deficiência de ferro e vitamina B-12 são especificamente altas e estão diretamente ligadas a falta de consumo de carne na região. Espera-se que o número de refugiados no Campo de Kakuma aumente significamente nos próximos 10 anos, aumentando muito mais ainda esses problemas.

Agora imagine uma construção na beira de um campo. Ela é do tamanho de seis containers de navios estacados em três camadas para cima, cobertos por painéis solares. Atravesse a pequena porta e em frente a você está uma série de tubos horizontais. Esses são bioreatores gerando célulares musculares – um produto inteiramente proteíco e que é uma forma de carne limpa.

Atrás desses bioreatores, você vê várias unidades de filtração e tubos, mas a construção é até quieta, com apenas um leve zumbido da água que é reciclada. O segundo andar é o laboratório que processa o produto, enquanto a sala de secagem está no último andar, aquecida por raios solares.

Voltando lá fora, você vê um mercado, vendendo nas sessões de comida as proteínas da instalação, assim como outras mercadorias locais. A construção – carinhosamente conhecida como CALpod (casulo da Cellular Agriculture Lifecycle) –já se tornou um ponto de foco para os negócios rotineiros da comunidade.

Eu imagino CALpods integrados em uma larga variedade de regiões. O produto exato vai depender da região, preferências culturais, e dietas. Com a tecnologia dos dias de hoje, um CALpod poderia produzir proteínas em pó que ficam estavelmente nas prateleiras (similares aos pacotes já distribuídos no Campo de Kakuma). Com os próximos avanços da tecnologia e de distribuição de redes – exemplo, refrigeração – produtos mais pertos e assemelhando-se mais ainda da carne poderiam de fato serem produzidos e vendidos.

Assim que a instalação já estiver no lugar, uma série de fazendeiros, produtores, fornecedores, e distribuidores vão ser formados, criando uma economia sustentável local construída ao redor de um processo ambientalemente sustentável. Nós podemos imaginar os benefícios sociais que isso poderia trazer: escolas e educação, futuros trabalhos, saúde melhor e qualidade de vida.

Não existe uma bala de prata para atingir segurança alimentar global, é claro. Diversificar nossos métodos de  produção de comida é a melhor forma de atacar as iminentes mudanças sociais e climáticas. Minha visão para usar os CALpods é uma forma de fazer isso, atingindo quase todos os objetivos do plano da ONU para um futuro sustentável. Eu não estou iludida que essa visão será fácil de atingir – os desafios técnicos, financeiros e sociais são significantes. Mas uma forte dose de otimismo com uma saudável gota de realismo signifca, para agora, que eu estou sonhando com agricultura celular como quem vai permitir um futuro melhor para todos os seres vivos, em qualquer lugar  que estejam no Planeta Terra.

Você pode aprender mais sobre o trabalho de Dr.a. Ellis’s aqui.

 

Traduzido por Felipe Krelling. Texto original pode ser visto aqui.

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