Posts recentes

Opinião: Câmara aprova projeto que limita o uso de termos como ‘carne’ e ‘leite’ nos rótulos de produtos plant-based. E agora?

5 de março de 2026

Crédito da imagem: Adobe Stock

A Câmara dos Deputados aprovou o PL 10556/2018, que proíbe o uso da palavra “leite” por produtos que não sejam de origem animal. O texto aprovado também amplia essa proibição para produtos cárneos, como hambúrgueres e salsichas de origem vegetal. Como o projeto tramitou em regime de urgência, foi votado diretamente no plenário, sem passar pelas comissões técnicas.

Produtos cárneos de origem vegetal também serão afetados.

Os defensores do projeto afirmam que a medida protege o consumidor de possíveis enganos na hora da compra. No entanto, pesquisas no Brasil e no exterior mostram que 97% dos consumidores sabem exatamente o que estão comprando. Ou seja, a grande maioria escolhe esses produtos de forma consciente, seja por motivos de saúde, por valores pessoais ou por preocupação ambiental.

Além disso, instituições como a Embrapa, a Anvisa e o próprio Ministério da Agricultura já se manifestaram tecnicamente contra esse tipo de restrição, por entenderem que ela pode prejudicar a inovação e as pesquisas desenvolvidas no país.

Essa proposta pode representar um retrocesso para a inovação em alimentos no Brasil. As proteínas alternativas são uma oportunidade importante para agregar valor a cadeias do agro brasileiro, como soja, feijão e castanhas. Restringir o uso de nomes que o consumidor já entende não facilita a escolha, pelo contrário, pode gerar mais confusão e limitar a livre concorrência.

O projeto segue para o Senado, onde ainda será debatido. Se for aprovado, vai para sanção ou para veto do Presidente da República. O importante agora é que o debate seja técnico, baseado em ciência e no interesse da sociedade. 

"Existe uma visão equivocada de que as proteínas alternativas vieram para substituir as proteínas de origem animal. Contudo, essa suposta concorrência não existe. Muito pelo contrário, são mercados complementares. De acordo com relatórios da ONU, cerca de 300 milhões de pessoas passam fome diariamente no mundo. Ou seja, antes de pensarmos em concorrência, ainda tem muita boca pra ser alimentada. É preciso uma soma de soluções, especialmente evitando aumento na pressão no uso de terras e recursos naturais. Daí as proteínas alternativas, que vêm para agregar ainda mais valor ao agro brasileiro".
Alysson Soares
Head de Políticas Públicas do GFI Brasil

Confira nossos últimos lançamentos

Últimos posts