dados de mercado
Proteínas alternativas em dados
Conheça mais sobre o setor de proteínas alternativas acessando os dados mais atualizados dos mercados de produtos feitos de planta, cultivados a partir de células ou obtidos por fermentação.
Crédito: Upside Foods
01. Investimentos em Proteínas Alternativas
Em 2024, o setor global de proteínas alternativas enfrentou um ambiente desafiador de investimentos, refletindo uma desaceleração alinhada à tendência observada em outros segmentos de tecnologia climática e bens de consumo. Empresas privadas focadas em carnes, laticínios, ovos e frutos do mar de origem vegetal captaram US$ 309 milhões no ano, parte dos US$ 1,1 bilhão investidos no ecossistema de proteínas alternativas provenientes também de outras tecnologias, como fermentação e cultivo celular. Fusões e aquisições também marcaram o período, sinalizando movimentações estratégicas para consolidação e crescimento.
Na América Latina, os investimentos permaneceram modestos: foram captados US$ 280 mil em 2024, totalizando US$ 537 milhões desde 2015. A região concentrou apenas um único aporte reportado no ano, evidenciando a necessidade de ampliar o acesso a capital e fomentar um ambiente mais robusto de apoio ao crescimento do setor.
02. Mercado Global de Proteínas Alternativas
Em escala global, as vendas no varejo de alternativas vegetais — incluindo carne, frutos do mar, leite, iogurte, queijo e sorvete — totalizaram aproximadamente US$ 28,6 bilhões em 2024, com um crescimento de 5% em relação a 2023, segundo dados da Euromonitor International. A América do Norte e a Europa continuam liderando em valores absolutos, mas a região da Ásia-Pacífico (incluindo Australásia) também apresenta desempenho significativo. A América Latina segue como um mercado emergente, com espaço para expansão à medida que o portfólio de produtos se diversifica e mais consumidores acessam alternativas vegetais.
01. Mercado Brasileiro de Proteínas Alternativas
Substitutos vegetais para carnes e frutos do mar
Segundo estimativas da Euromonitor Internacional, o mercado brasileiro de alternativas vegetais segue em expansão. Em 2025, o volume de substitutos de carne e de frutos do mar de origem vegetal vendidos no varejo cresceu 17% em relação a 2024, ultrapassando 16 mil toneladas. O valor das vendas destes produtos diretamente ao consumidor atingiu R$ 1,9 bilhão, o que representa um crescimento de 66% em relação a 2024.
O descompasso entre crescimento em valor e desempenho em volume não foi exclusivo da categoria de carnes vegetais, mas refletiu uma dinâmica mais ampla do varejo alimentar brasileiro em 2025. Segundo dados da Scanntech, o setor de alimentos encerrou o ano com alta de +4,1% no faturamento, sustentada principalmente pelo aumento de +6,3% no preço por unidade, apesar da retração de −2,1% nas unidades vendidas. Esses dados mostram que, em 2025, parte relevante do crescimento observado no varejo alimentar brasileiro decorreu mais do repasse de preços e da mudança no mix de consumo do que de uma expansão efetiva das quantidades compradas
No caso dos substitutos de carnes vegetais, esse descompasso evidencia que o preço médio do quilo do produto está mais elevado e é o maior observado desde 2018. Uma combinação de fatores pode ajudar a explicar este movimento: uma provável elevação do ticket médio, devido à chegada de produtos mais premium e à pressão inflacionária, associada à expansão logística das grandes indústrias, que pode ter ampliado a oferta em pontos de venda mais caros, embora a barreira do preço final ainda pareça limitar a adesão em termos de volume.
Leites vegetais
No segmento de leite vegetal, as vendas no varejo totalizaram R$ 842 milhões em 2025, crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Em volume, o mercado se manteve praticamente estável, com pouco mais de 64 milhões de litros vendidos. A diversificação de ingredientes e a entrada de novas marcas, a partir de 2019, continuam sendo fatores-chave para os resultados positivos do setor. A participação das bebidas feitas com base em outros ingredientes, que não a soja, passou de 17% em 2018 para 61% em 2025, considerando o valor total de venda de leite vegetal ao consumidor final, em reais.
Esta mudança no mix de consumo reflete uma transição profunda no mercado brasileiro: a soja, embora pioneira e acessível, cede espaço à inovação e ao valor agregado de ingredientes como aveia, amêndoas e castanhas, que hoje sustentam o faturamento do setor. Sob a ótica do Good Food Institute (GFI), este cenário reforça que a expansão da categoria depende da melhoria contínua de sabor, textura e perfil nutricional, aprimorando a experiência sensorial. Para que o setor alcance um novo patamar de democratização e converta o volume estável em crescimento real, o desafio para os próximos anos será focar em ganhos de escala e na eficiência produtiva, visando reduzir o diferencial de preço e consolidar as alternativas vegetais na cesta básica do consumidor.
Para informações sobre o mercado de proteínas alternativas ao redor do globo, acesse os relatórios State of the Industry, produzidos pelo GFI.
02. Lançamentos de carnes vegetais no Brasil
Os dados da plataforma Mintel indicam uma trajetória oscilante para os lançamentos de carnes vegetais no Brasil. O ponto alto foi 2021, com 43 lançamentos, marcando um pico de inovação e investimento no setor. A partir de 2022, observou-se uma redução acentuada, com 18 lançamentos naquele ano, seguida por 20 em 2023 e apenas 11 em 2024. Essa desaceleração pode indicar uma fase de reavaliação estratégica pelas empresas, após um período de expansão rápida.
A maior parte dos produtos lançados no país pertence à categoria de congelados, enquanto as opções refrigeradas e de prateleira ainda representam uma parcela menor do mercado. Em 2024, houve um leve aumento na participação de produtos de prateleira, indicando uma possível tendência para diversificação nos métodos de conservação. Isso demonstra uma forte dependência da cadeia de frio para a comercialização desses produtos, o que pode impactar sua distribuição e acessibilidade ao consumidor final.
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