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Efeito Ozempic: As carnes vegetais como aliadas das dietas GLP-1

15 de abril de 2026

Alimentos ricos em proteínas e fibras, e baixos em gordura. Como a categoria de proteínas vegetais pode apoiar consumidores que buscam mais bem-estar?

A saúde pública vem enfrentando desafios cada vez maiores devido ao crescimento populacional e ao estilo de vida moderno. Um deles é a taxa crescente de obesidade e sobrepeso. Segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), vinculado ao Ministério da Saúde, 34,66% da população brasileira apresenta algum grau de obesidade. 

Mundialmente, pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a obesidade esteve associada a cerca de 3,7 milhões de mortes em 2024 e que o número de pessoas vivendo com a condição pode dobrar até 2030. Como aliadas dessa luta, uma dieta equilibrada e a prática constante de exercícios físicos são, segundo médicos e especialistas, as melhores opções para um estilo de vida mais saudável.

De acordo com Marina Sallum, nutricionista e especialista em negócios na indústria de alimentos, “Os números de obesidade no Brasil e no mundo revelam um problema estrutural que vai além do comportamento individual – eles refletem um ambiente alimentar que ainda não está totalmente alinhado às necessidades nutricionais da população. Do ponto de vista da saúde pública, isso reforça a urgência de soluções que sejam, ao mesmo tempo, acessíveis, práticas e nutricionalmente adequadas”, explica Marina.

As canetas emagrecedoras já chegaram em 33% dos lares brasileiros.

Nos últimos anos, contudo, outro componente entrou nessa equação na busca pela saúde e pelo bem-estar: as canetas emagrecedoras. Em 2025, a compra desses medicamentos chegou a US$ 1,669 bilhão – cerca de R$ 9 bilhões. No Brasil, 33% dos lares têm ao menos um morador que utiliza ou já utilizou esses medicamentos, segundo o Instituto Locomotiva. Com o atual cenário, surgiu a necessidade de adequar a alimentação do dia a dia à nova forma de funcionamento do organismo. Segundo a mesma pesquisa, 47% dos domicílios com usuários do medicamento reduziram o consumo de massas e carboidratos, ao passo que 40% aumentaram a ingestão de alimentos considerados saudáveis. 

“Os medicamentos GLP-1 vêm mudando a relação de uma parcela crescente da população com a comida – e aqui nasce uma grande oportunidade para a indústria. Com menor apetite e ingestão reduzida, cada refeição passa a ter um peso ainda maior do ponto de vista nutricional: não há espaço para calorias vazias. Isso cria uma demanda real por alimentos densos em nutrientes, ricos em proteína e fibras, e que caibam em porções menores”, afirma Marina.

Empresas como a ADM já identificaram o potencial de mercado desse grupo e estão desenvolvendo ingredientes, como proteínas, probióticos e saborizantes, voltados a esse público. “Criamos uma plataforma de soluções completas para apoio ao tratamento de usuários de medicamentos análogos do GLP-1, pensando nas necessidades específicas de cada momento, seja durante o uso das soluções para emagrecimento ou após a aplicação regular, quando há diversos cuidados a serem mantidos. Ao longo do tratamento, o foco é ajudar a promover a saúde muscular, evitar a constipação e manter a microbiota saudável por meio de fibras, pré e probióticos para minimizar desconfortos gástricos e melhorar a absorção de nutrientes.  As proteínas possuem papel fundamental na manutenção de massa muscular e as soluções híbridas ou 100% vegetais, de forma geral, são produtos com quantidade menor de gorduras saturadas, além de apresentarem maior digestibilidade e custo mais acessível para a indústria e o consumidor”, explica Tiago Coroa, gerente de desenvolvimento de produtos e criação da ADM na América Latina.

Mounjaro, Ozempic e uma dieta equilibrada

Olhando para esse novo nicho de mercado, as carnes vegetais podem se tornar verdadeiras parceiras de pacientes em dietas GLP-1. Segundo estudo conduzido pelo GFI, Aspectos nutricionais dos alimentos vegetais análogos à carne no mercado brasileiro, diversos produtos disponíveis no mercado atualmente são considerados fontes de proteína, alguns com níveis superiores a 50%; já 68% são considerados fontes de fibras; e apenas 9% das carnes vegetais analisadas são altas em gordura.

“As carnes vegetais são uma opção interessante para quem precisa de uma alimentação equilibrada. O estudo do GFI Brasil mostra que a categoria vem evoluindo, com avanços importantes na redução de sódio e de gordura saturada em muitos produtos. Além disso, esses alimentos contribuem para o suprimento de proteína e têm um diferencial relevante: a presença de fibras, que não estão presentes na carne convencional. Como em qualquer escolha alimentar, o mais importante é observar a composição nutricional de cada produto e entender como compor uma dieta balanceada de acordo com as necessidades individuais”, afirma Cristiana Ambiel, diretora de Ciência e Tecnologia do GFI e coordenadora do estudo.

Diversos produtos plant-based são fontes de proteína, fibra e tem baixos níveis de gordura. Imagem: N.Ovo.

“As empresas do setor de proteínas vegetais precisam estar atentas às mudanças de comportamento da população para posicionar a categoria de forma mais estratégica. Se hoje temos uma parcela da população que procura alimentos com as características nutricionais que as carnes vegetais oferecem, precisamos nos comunicar com esse público e mostrar que os produtos estão aqui para apoiá-los nessa jornada”, destaca Raquel Casselli, diretora de Engajamento Corporativo no GFI Brasil. Ela destaca ainda que esse é um exemplo de como uma categoria pode apoiar o consumidor a resolver uma tensão emergente da atualidade, tema que foi destaque na pesquisa Estratégias para destravar o mercado brasileiro de carnes vegetais, publicada pelo GFI, que busca apoiar o setor privado a identificar oportunidades voltadas ao crescimento da categoria.

“Categorias fortes não surgem do nada, elas respondem a dilemas reais. Produtos bem-sucedidos tendem a emergir em momentos de mudança cultural, social ou comportamental, em que o consumidor busca resolver um conflito entre desejos e restrições. A função do produto é entregar uma resposta tangível a esse desconforto percebido, ainda que parcialmente. Ao reconhecer uma dor latente e se apresentar como solução, o produto não apenas atende a uma necessidade, ele conquista relevância emocional. E é exatamente essa relevância que transforma a curiosidade inicial em comportamento repetido”, conta Camila Lupetti, especialista em Inteligência de Mercado no GFI Brasil.

O que vem por aí?

Esse é o primeiro artigo de uma nova série que será apresentada nos canais do GFI Brasil sobre Estratégias para destravar o mercado brasileiro de carnes vegetais. Acompanhe o blog e as nossas redes para não perder os próximos.

redação

Camila Lupetti

Especialista Sênior de Inteligência de Mercado

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduada em Opinião Pública e Inteligência de Mercado, atuou por 15 anos em institutos de pesquisa de mercado, mídia e opinião pública. Com experiência em planejamento e análise de pesquisas, no GFI Brasil, lidera a área de Inteligência de Mercado, se dedicando a apoiar todo o setor de proteínas alternativas com informações relevantes para a tomada de decisão em temas ligados à categoria.

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