Posts recentes

Relatório 2025

Soberania científica

O Brasil que pesquisa, desenvolve e transforma.

COP30 Brasil Amazônia em Belém, 2025

No ano em que o Brasil recebeu a COP30 na Amazônia, o país esteve no centro de uma das conversas mais decisivas do nosso tempo: como construir, com urgência, um futuro mais seguro, sustentável e resiliente. Sediar esse debate global foi apenas parte do desafio. A questão mais profunda é outra: qual papel o Brasil quer desempenhar nessa transição? Seremos apenas fornecedores de matéria-prima e consumidores de tecnologias desenvolvidas em outros lugares, ou também criadores de soluções que irão redefinir o sistema alimentar?

Abrigando aproximadamente 20% da biodiversidade mundial e servindo como uma das maiores potências globais na produção e exportação de grãos, o Brasil possui condições únicas para liderar essa transformação. O robusto e consolidado setor de agronegócio do Brasil, seus principais pesquisadores e centros de tecnologia, e sua capacidade industrial têm o potencial de abastecer mercados em todo o mundo.

Ainda assim, os grandes avanços científicos e tecnológicos tendem a ocorrer onde há mais recursos, infraestrutura e investimento, e é nessas regiões que permanecem também os benefícios do desenvolvimento dessas inovações, como o fortalecimento da infraestrutura local, a geração de conhecimento científico e tecnológico, o desenvolvimento das cadeias produtivas, o surgimento de novas empresas e de oportunidades de geração de renda e de empregos.

Por isso, fortalecer a soberania científica nacional é uma prioridade para o GFI Brasil. Quando uma inovação tecnológica é desenvolvida em outro país e importada para o Brasil, ela pode não refletir o contexto, os costumes e as necessidades locais, além de aumentar a dependência tecnológica em relação ao país de origem. Ao investir em ciência feita no Brasil, ampliamos nossa capacidade de decisão, desenvolvemos soluções conectadas à nossa realidade e mantemos aqui os ganhos econômicos, industriais e sociais desse avanço. Acreditamos no potencial do país para produzir conhecimento de ponta, transformar sua força agroindustrial em inovação e levar ao mundo alimentos sustentáveis, seguros e competitivos em sabor, preço e qualidade.

You are what you eat: GFI em série produzida pela Netflix.

Fortalecendo as bases científicas, regulatórias e institucionais das proteínas alternativas no Brasil

O ano de 2025 deixou claro que o papel do GFI Brasil é, cada vez mais, o de uma organização que articula frentes complementares de transformação. Ao mesmo tempo em que ajudamos o mercado plant-based a enfrentar seus desafios de maturidade, investimos nas bases científicas e institucionais que viabilizarão o avanço da fermentação e da carne cultivada. Enquanto formamos talentos, fortalecemos ecossistemas locais, ampliamos a presença do Brasil em espaços multilaterais, também construímos referências para políticas públicas e financiamento. Ao expandirmos nossa atuação externa, fortalecemos a estrutura interna necessária para sustentar esse crescimento.

Em um cenário global em que o futuro da alimentação será cada vez mais determinado pela capacidade de integrar inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, o Brasil tem condições singulares de exercer protagonismo. O trabalho realizado pelo GFI Brasil em 2025 aponta justamente nessa direção: transformar potencial em estratégia, estratégia em coordenação e coordenação em impacto duradouro. Como uma organização sem fins lucrativos, todo esse trabalho foi possível graças ao apoio de doadores. À nossa comunidade de doadores, nosso muito obrigado por compartilharem nossa visão de um mundo próspero, alimentado de forma sustentável.

Nossos destaques
em 2025

9

publicações

de conteúdo técnico-científico.

261

novos inscritos

nos cursos online, num total de 1885 alunos.

Novo curso online

“Introdução à inovação em proteínas alternativa".

Nova comunidade

“Coalizão Global Pelas Proteínas Alternativas”.

37

eventos

organizados ou apoiados por nossa equipe.

504

cidades

de todas as regiões do país visitadas para mobilização de ecossistemas de inovação.

+17 mil

pessoas

conectadas pelos nossos canais de comunicação.

13

projetos

financiados.

R$ 1,2 M

investido em estudos de acesso aberto.

R$ 2 M

em recursos públicos e filantrópicos com a Fundação Araucária.

Plant-Based

Um mercado que amadurece e exige novos saltos.

Frango plant-based - Tender Food
Salmão plant-based - OLALA!

Se os primeiros anos do mercado plant-based foram marcados pela expansão da categoria e pela construção de visibilidade, 2025 consolidou um novo momento: o de compreender, com mais profundidade, o que será necessário para tornar esse mercado mais competitivo, mais acessível e mais alinhado aos hábitos alimentares dos brasileiros. O mercado já se consolidou o suficiente para que o debate deixe de ser apenas sobre presença e passe a ser sobre escala, aderência cultural e desempenho de produto.

É justamente nesse estágio de amadurecimento que a filantropia se torna especialmente relevante, pois dispõe da flexibilidade necessária para apoiar áreas ainda negligenciadas, mapear gargalos estruturais e gerar inteligência estratégica.  Nesse contexto, o GFI se posiciona de forma singular como a única organização sem fins lucrativos dedicada exclusivamente a acelerar o desenvolvimento do setor de proteínas alternativas, atuando de forma sistêmica para destravar seus principais desafios. Ao tornar visíveis os gargalos que limitam o avanço do setor e ao compartilhar esse conhecimento de forma aberta, o GFI contribui para que empresas, pesquisadores e governos formulem estratégias mais consistentes, coordenadas e orientadas ao impacto.

Para ajudar as empresas brasileiras a alcançarem o seu potencial máximo, lançamos o estudo “Estratégias para destravar o mercado brasileiro de carnes vegetais” que reúne percepções de consumidores e profissionais da indústria, além de referências de outras categorias de alimentos e bebidas que cresceram e conquistaram novos mercados no país. Mais do que um diagnóstico, o material apresenta uma visão prática, por meio de 7 direcionais estratégicos, sobre o que precisa avançar para que a categoria se torne uma escolha mais intuitiva e desejável: preço, sabor, acesso, comunicação e relevância cultural.

Cultura e Marketing: A receita para aumentar o apetite por carnes vegetais.

Ao traduzir essas barreiras em recomendações acionáveis, o GFI Brasil fortalece sua posição como organização capaz de gerar inteligência de mercado alinhada às necessidades concretas do setor.

Videocast - Desafios e perspectivas: como a indústria plant-based pode crescer.

Em um mercado ainda em consolidação, segurança regulatória e clareza de linguagem não são temas periféricos: são condições essenciais para crescimento.

Ao mesmo tempo, 2025 trouxe avanços importantes no ambiente regulatório do mercado plant-based. A conclusão, pela Anvisa, da consulta pública sobre a criação de uma categoria específica para ingredientes e auxiliares de processamento usados em produtos vegetais análogos representou um passo importante para ampliar a previsibilidade jurídica do setor e consolidar uma rota regulatória mais adequada à inovação. O resultado também reflete um trabalho persistente de engajamento técnico e de incidência junto ao poder público, reforçando o papel do GFI Brasil como articulador de um ambiente regulatório que proteja o consumidor sem desestimular o desenvolvimento da categoria.

Essa frente ganhou ainda mais relevância com a reversão das restrições de rotulagem no Paraná. Ao contribuir para derrubar barreiras estaduais que restringiam a nomenclatura de produtos de proteínas alternativas, o GFI Brasil ajudou a restaurar maior coerência jurídica no setor, reduzindo entraves às empresas e reforçando a importância de uma regulação alinhada às normas federais.

Superar gargalos técnicos exige pesquisa, inovação e a participação dos principais agentes do setor.

O primeiro Fórum Técnico de Discussão sobre Proteínas Alternativas, dedicado à cadeia da soja, reuniu especialistas da academia e da indústria para identificar caminhos para melhorar a qualidade e o custo dos ingredientes empregados em carnes vegetais análogas. As diretrizes foram reunidas no relatório “Fortalecento o potencial da soja nos análogos à carne: estratégias e oportunidades de pesquisa” e abrangem toda a cadeia produtiva, desde o desenvolvimento de cultivares, com maior teor e qualidade proteica, perfil nutricional mais completo e menor presença de compostos antinutricionais, até o produto final e sua adoção pelos consumidores.

Nesta direção, o estudo da pesquisadora Paula Speranza, da ProVerde Processos Sustentáveis, ainda em desenvolvimento, apresentará rotas tecnológicas para produção de ingredientes a partir da farinha de soja desengordurada, com propriedades funcionais, nutricionais e sensoriais otimizadas para aplicação em carnes vegetais análogas.

Valor agregado: soja mira novos mercados.

Por que acreditamos na Soja?

Em um mercado que ainda carece de soluções capazes de reduzir custos e viabilizar a produção em larga escala, a soja pode desempenhar um papel relevante sob a ótica da eficiência do sistema alimentar. 

Com isso em mente, buscamos entender como o grão pode ser utilizado diretamente na alimentação humana e não apenas na alimentação animal. Essa mudança de perspectiva pode aumentar a eficiência do sistema produtivo, ampliar a disponibilidade de alimentos e extrair mais valor da produção já existente, sem exigir expansão produtiva. 

Embora o Brasil seja uma potência global na produção de soja, boa parte de sua capacidade ainda está concentrada no fornecimento de matéria-prima a mercados externos. Acreditamos que o país tem condições de ir além: agregar valor à sua produção, transformar conhecimento em inovação e desenvolver soluções competitivas para o mercado global, gerando, com isso, mais tecnologia, mais riqueza e mais benefícios para a sociedade brasileira.

A agenda de ingredientes nacionais também ganhou força no workshop “Dos feijões à biodiversidade brasileira: ingredientes nacionais no setor plant-based”, realizado em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ao colocar em perspectiva o potencial de feijões, caju e outras espécies vegetais nativas como ingredientes de alto valor para a indústria de proteínas alternativas, reforçamos uma abordagem que se torna cada vez mais clara para a nossa instituição: pensar a transição alimentar não a partir de soluções importadas, mas das vantagens competitivas do Brasil.

Como resultado do aprofundamento de especialistas, publicamos o relatório “Fortalecendo o potencial do feijão nos análogos vegetais: estratégias e oportunidades”. O documento reúne estratégias e oportunidades prioritárias de P&D voltadas ao aproveitamento tecnológico do feijão, considerando rotas de processamento seco, úmido e híbrido, bem como tecnologias emergentes, em consonância com as demandas da cadeia produtiva de proteínas alternativas.

Videocast: Entenda o que são as carnes vegetais e se elas contribuem para uma dieta saudável.

Cultivo celular e fermentação

Da promessa tecnológica à construção de capacidade nacional.

Planta pilito de carne cultivada - Good Meat
Carne obtida por fermentação de biomassa - Chunk

Enquanto a indústria de alimentos plant-based enfrenta os desafios de uma categoria mais madura e presente no mercado, a fermentação e a carne cultivada seguem representando a fronteira científica e tecnológica das proteínas alternativas. Em 2025, concentramos esforços em fortalecer as bases que permitirão ao país participar de forma mais competitiva dessa nova etapa: gerar conhecimento estratégico, ampliar a articulação institucional, conectar pesquisadores e criar condições para o avanço de pesquisa aplicada.

Um dos marcos do ano foi o lançamento do white paper “Fermentação no Brasil: o potencial para a produção de proteínas alternativas”, que consolidou um conjunto importante de informações sobre rotas tecnológicas, desafios regulatórios, infraestrutura científica e oportunidades de mercado. A partir desse estudo, ampliamos a circulação de conhecimento sobre o tema, além de posicionarmos a fermentação como uma frente estratégica para pesquisadores, investidores, governo e indústria. Em um país com tradição em bioprocessos, rico em insumos e com forte base científica, esse tipo de inteligência é decisivo para transformar o potencial em uma agenda concreta de desenvolvimento.

Utilizada há milênios, a fermentação pode, mais uma vez, revolucionar a gastronomia.

Esse potencial também apareceu no workshop “Brasil e a fermentação no avanço das proteínas alternativas sustentáveis”, realizado em parceria com o MCTI. Ao reunir pesquisadores, representantes do governo e lideranças científicas, o encontro reforçou a percepção de que o Brasil tem ativos relevantes para avançar nessa frente, mas precisa continuar a coordenar atores, prioridades e investimentos.

Leite de vaca, sem vaca: foodtechs usam fermentação para revolucionar a indústria.

No campo da carne cultivada, 2025 foi igualmente um ano de fortalecimento do ecossistema. A realização da “II Conferência Sobre Proteínas Alternativas & II Jornada de Carne Cultivada”, fruto da parceria entre a Embrapa e a UFSC, consolidou um espaço de intercâmbio técnico entre a academia, o governo e o setor produtivo. O evento, que teve caráter internacional, contou com a presença de vários dos mais importantes pesquisadores brasileiros do tema, além da participação ilustre do Mark Post (Mosa Meat), criador do primeiro hambúrguer de carne cultivada do mundo, e de representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Startup de carne de peixe cultivada traça plano para produzir em escala comercial.

Já em parceria com o MCTI, o GFI promoveu o workshop “Carne cultivada, meios de cultivo e os desafios de redução de custo”, com representantes do ministério, pesquisadores e representantes da indústria. O debate técnico se concentrou no meio de cultivo, um dos itens que mais encarecem a tecnologia, abordando composição, novos ingredientes e soluções como a utilização de insumos derivados de resíduos e subprodutos industriais em sua formulação. 

O potencial dessa solução já está sendo estudado. Com financiamento do GFI Brasil, o Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras (SENAI – ISI B&F) iniciou um projeto que mapeará rotas tecnológicas para transformar subprodutos-chave das principais cadeias agroindustriais do Brasil — como cana-de-açúcar, soja e milho — em matérias-primas para meios de cultura usados em processos de fermentação e carne cultivada.

Alunos do APP na II COAP
GFI Brasil na II COAP
GFI Brasil na II COAP
GFI Brasil na II COAP

A agenda ganhou corpo com o lançamento do “primeiro edital estadual do país dedicado exclusivamente a proteínas alternativas”, em parceria de match-funding com a Fundação Araucária. Ao direcionar recursos para tecnologias escaláveis de fermentação e de cultivo celular, a chamada ajudou a inaugurar um novo patamar de apoio institucional à pesquisa aberta em proteínas alternativas no Brasil.

Essa iniciativa representa um exemplo concreto de como instrumentos públicos e filantrópicos podem ser combinados para estruturar uma política de apoio à inovação em proteínas alternativas. Precisamos, cada vez mais, construir precedentes, abrir caminhos institucionais e ampliar a presença do Brasil em espaços decisivos para o futuro da alimentação.

As proteínas alternativas são uma solução escalável para um futuro melhor?

Ana Carolina Rossettini

Gerente de Desenvolvimento do GFI Brasil

“A filantropia desempenha um papel fundamental na redução de riscos em mercados emergentes e na atração e multiplicação de recursos. A parceria entre o GFI Brasil e a Fundação Araucária, a fundação de amparo à pesquisa do Estado do Paraná, mostra com clareza como esse potencial pode se concretizar. Em 2025, lançamos o primeiro edital em que recursos filantrópicos foram duplicados pelos recursos públicos, ampliando significativamente o alcance e o impacto da iniciativa. O GFI Brasil investiu R$ 1 milhão, e a Fundação Araucária dobrou esse valor, demonstrando como doações para o GFI podem destravar investimentos  e acelerar o desenvolvimento de um campo estratégico para o país. Com isso, mais pesquisas serão financiadas, mais pesquisadores e universidades serão mobilizados e mais conhecimento será gerado. Nada disso seria possível sem o apoio dos nossos doadores ao redor do mundo, que sustentam o trabalho do GFI e permitem transformar visão estratégica em impacto concreto.”

Ecossistema

Talentos e conexão com a indústria.

Apresentação do Lâmpada no NIS 2025
ELIPA - Visita ao Centro de P&D do IFF em São Paulo

Ao longo de 2025, o projeto “Ecossistemas Locais de inovação em Proteínas alternativas (ELIPA)” sintetizou uma das apostas mais estruturantes do GFI Brasil: a de que o avanço das proteínas alternativas no país depende menos de iniciativas isoladas e mais da capacidade de consolidar um ecossistema de inovação conectado, qualificado e orientado à aplicação prática. Foi essa lógica que guiou as ações de capacitação, de articulação institucional e de mobilização de parceiros desenvolvidas no âmbito do projeto.

Por meio de visitas estratégicas a startups, centros de inovação, Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT), associações empresariais, hubs de foodtech e agências estaduais de fomento, o GFI Brasil pode atualizar o diagnóstico das necessidades do setor, ampliar a rede de parceiros e preparar o terreno para novas iniciativas em 2026. Em vez de tratar o ecossistema como algo abstrato, o GFI operou com base em seus nós concretos: pessoas, instituições, ambientes de inovação e relações de confiança. É justamente nesse tipo de costura que se forma a base para o surgimento de projetos estruturantes e para a capacidade do país de desenvolver e escalar novas tecnologias alimentares.

3

associações empresariais do setor de proteínas alternativas

3

hubs de inovação focados em foodtech

2

agências
estaduais de fomento

4

startups do
setor de
proteínas alternativas

7

centros de inovação em ingredientes e manufatura

4

Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs)

A “Trilha de Capacitação em Proteínas Alternativas”, realizada em parceria com o MCTI e com os grupos do Alt. Protein Project (APP) foi uma expressão clara desse esforço. Ao aproximar pesquisadores dos desafios reais da indústria e ao criar um ambiente de troca com especialistas do setor, a iniciativa ajudou a fortalecer a interface entre a produção científica, a transferência de tecnologia e a inovação aplicada.

291

pessoas inscritas

60

completaram a trilha

5

encontros gravados

2.491

visualizações totais

80

profissionais na comunidade virtual

E para contribuir com empreendedores que desejem ingressar no mercado de proteínas alternativas, lançamos o curso online “Conceitos Básicos de Inovação em Proteínas Alternativas”. As cinco aulas abordam temas como pesquisa de mercado e validação de problemas, até a ideação de novas tecnologias, roadmap e o desenvolvimento de produtos mínimos viáveis. A ideia é que, ao fim do curso, os participantes compreendam o ecossistema de inovação em proteínas alternativas, incluindo suas oportunidades, tendências globais, aspectos regulatórios e modelos de negócio.

Conservation x Labs Amazônia
Conservation x Labs Amazônia
Visita ao Centro de P&D da JBS
GFI Brasil no New Meat
Evento Conservation X Labs de Imersão na Amazônia

A filantropia tem um papel essencial na construção de ecossistemas, pois consegue enxergar o setor de forma abrangente, identificar os pontos negligenciados e os principais gargalos que o limitam. Com essa visão do todo, pode direcionar recursos  para gargalos estratégicos e, sobretudo, conectar agentes que muitas vezes atuam de forma isolada, aumentando a eficiência e orientando o desenvolvimento do setor para que seus benefícios sejam voltados à sociedade.

O GFI Brasil reúne a academia, o governo e o setor privado para alinhar esforços, compartilhar conhecimento e acelerar o desenvolvimento do campo de forma mais coordenada e eficiente. Esse trabalho fundamental só é possível devido ao nosso papel como uma organização sem fins lucrativos, apoiada por doadores, o que nos permite atuar como um catalisador estratégico.

Coalizão Global Pelas Proteínas Alternativas

Em 2025 também lançamos a nossa primeira comunidade online, a “Coalizão Global Pelas Proteínas Alternativas”. O projeto nasce com o propósito de aproximar pessoas e instituições que acreditam na relevância da inovação alimentar para a construção de um mundo mais justo e sustentável. Criamos um espaço que reúne pesquisadores, estudantes, empreendedores, empresas, representantes do setor público e especialistas em políticas públicas para debater, construir e transformar, juntos, o ecossistema das proteínas alternativas no Brasil.

Brasil

No centro de uma agenda global.

COP30 Brasil Amazônia
COP30 - Jantar para negociadores

Em 2025, o GFI Brasil também aprofundou sua presença em espaços de formulação de políticas e de articulação internacional, reconhecendo que o futuro das proteínas alternativas não será definido apenas por avanços científicos ou empresariais, mas também pela priorização de financiamento e da cooperação entre países.

A atuação na COP30 foi importante nesse sentido. Mais uma vez, coube especialmente ao GFI defender que parte do financiamento climático também deve ser direcionado às proteínas alternativas, a fim de que elas ocupem um papel central nas estratégias de mitigação e, sobretudo, de adaptação climática.

Proteínas alternativas podem contribuir com o controle da crise climática.

Essa presença se desdobrou em uma programação consistente ao longo do evento. O GFI Brasil coorganizou um jantar para negociadores da agricultura, criando uma oportunidade única de ir além do discurso e, literalmente, provar o poder transformador da pesquisa e da inovação no país. No menu, foi incluído um produto de proteína alternativa desenvolvido a partir de um projeto financiado pelo programa global de apoio à pesquisa do GFI e conduzido pela Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza. O kibe da Amazonika, elaborado com fibra de caju, mostrou como pesquisadores brasileiros, apoiados por instituições de excelência, podem transformar recursos locais em alimentos saborosos, culturalmente conectados ao consumidor brasileiro e produzidos com menor intensidade de uso de recursos naturais e de impacto ambiental.

A experiência foi uma forma potente de evidenciar aos negociadores que o Brasil já reúne os ativos necessários para liderar o desenvolvimento de soluções capazes de transformar o sistema alimentar. Ao mesmo tempo, ela ilustra com clareza o papel indispensável da filantropia nesse processo: sem o apoio dos doadores que viabilizam o trabalho do GFI globalmente, essa pesquisa não teria avançado, essa solução não teria ganhado forma e essa demonstração concreta de potencial não teria chegado a um espaço tão estratégico. Esse momento serviu como um pontapé inicial para reforçar uma das narrativas que vão permear nossa atuação em 2026: o investimento em ciência, tecnologia e inovação no Sul Global vai ajudar a garantir a soberania científica da região e permitir que as soluções climáticas sejam criadas aqui, a partir da nossa biodiversidade. 

No painel Aligning Agriculture Finance and Fiscal Measures with Climate and Nature Goals, o GFI defendeu o papel do financiamento combinado (blended finance) e de medidas fiscais para ampliar investimentos e democratizar o acesso às proteínas alternativas; co-organizou o evento Nourishing Climate Action: Policy Tools for Climate-aligned and Resilient Food Systems, dedicado a políticas públicas para sistemas alimentares mais resilientes; participou do debate A Just Transition for Global Protein: Aligning Supply, Demand, and Emissions within Planetary Boundaries, que reforçou a necessidade de uma transição para proteínas alternativas plural e baseada em ciência; e integrou a programação do Pavilhão de Singapura sobre sistemas alimentares, com discussões sobre financiamento, ecossistemas de inovação e o papel da diversificação de proteínas na agenda climática.

COP30 avança na agenda climática, mas mantém sistemas alimentares e diversificação de proteínas fora do centro das decisões.

GFI Brasil na COP30
Abertura da COP30 Brasil Amazônia
GFI Brasil na COP30
GFI Brasil na COP30
GFI Brasil na COP30
GFI na COP30
GFI APAC na COP30
GFI APAC na COP30

Nossa participação na COP30 também marcou a primeira vez em que o GFI Brasil coordenou uma campanha de advocacy em nível global. Em articulação com outras regiões, nosso time elaborou narrativas para os principais stakeholders, criou peças para mídias sociais, mobilizou a imprensa, realizou a cobertura do evento e produziu o relatório final.

Confira algumas dessas iniciativas:

Participação na World AgriFood Innovation Conference

Essa perspectiva se ampliou com a participação do GFI Brasil na World AgriFood Innovation Conference, em Pequim, e com o avanço de conexões estratégicas entre o Brasil e a China. Ao destacar o papel dos dois países como atores centrais do Sul Global em uma agenda de inovação alimentar, o GFI Brasil reforçou sua posição como ponte entre capacidades nacionais e oportunidades internacionais de colaboração.

Brazil business boom: where global investors are looking next.

Na mesma direção, a participação na fundação da primeira associação chilena de proteínas alternativas contribuiu para consolidar um movimento regional mais organizado e institucionalizado, fortalecendo a construção de uma agenda latino-americana para o setor.

World AgriFood Innovation Conference
Lanches plant-based
Gabinete do deputado Nilto Tatto
GFI Brasil no jantar pré-COP30

Organização fortalecida

Sustentando impactos de longo prazo.

Time de Liderança no Retreat 2025
Time de Operações e RH no Retreat 2025

Por trás da expansão programática de 2025, houve também um movimento consistente de fortalecimento institucional. O impacto externo do GFI Brasil se sustenta em uma operação disciplinada, em processos robustos e em uma cultura organizacional capaz de acompanhar a crescente complexidade da agenda de proteínas alternativas.

As auditorias financeiras e internas concluídas sem ressalvas mantiveram um histórico contínuo de conformidade desde 2020, reforçando a solidez dos controles internos e da governança da organização.

Essa mesma lógica se manifestou no fortalecimento das práticas de compliance e de LGPD e, sobretudo, na evolução da agenda de desenvolvimento de pessoas. Em 2025, o GFI Brasil implementou uma nova estratégia de Treinamento e Desenvolvimento. Neste ano, optamos por fortalecer as capacidades coletivas, dedicando especial esforço ao treinamento de lideranças na fluência em inteligência artificial.

À nossa família de doadores e parceiros, o nosso muito obrigado!

Em 2026, seguimos movidos por uma convicção simples e profunda: o Brasil pode ser protagonista de uma das transformações mais estratégicas do nosso tempo. Quando falamos em soberania científica, falamos da capacidade de produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e criar soluções a partir da nossa própria realidade — com a força da nossa ciência, da nossa biodiversidade, da nossa capacidade produtiva e da potência do nosso território. É assim que enxergamos o papel do GFI Brasil: contribuir para a construção de caminhos que permitam à inovação em proteínas alternativas florescer com identidade brasileira, gerar valor para o país e avançar de forma concreta no desenvolvimento de sistemas alimentares mais sustentáveis, capazes de contribuir para a redução dos impactos da crise climática, proteger animais e ecossistemas e fortalecer a saúde pública.

Essa construção vai muito além de uma agenda setorial. Ela fala sobre a oportunidade do Brasil liderar com inteligência, criatividade e propósito; de transformar vocações já existentes em soluções de alto impacto; de aproximar ciência, indústria e interesse público em torno de uma visão comum. Cada pesquisa apoiada, cada conexão fortalecida, cada avanço institucional representam um passo na direção de um país mais capaz de responder aos seus próprios desafios — e também de inspirar respostas para o Sul Global. O futuro não está pronto: ele está sendo desenhado agora. E o Brasil tem todas as condições de ser um de seus arquitetos centrais.

Nada disso seria possível sem quem acredita na força das transformações de longo prazo. Por isso, encerramos este relatório com um agradecimento especial aos nossos doadores e parceiros filantrópicos. O apoio de vocês não apenas sustenta o nosso trabalho: ele amplia horizontes, acelera soluções, viabiliza agendas pioneiras e dá lastro para que ideias promissoras se tornem mudança real. Em um campo que exige coragem, visão e persistência, a filantropia tem um papel estratégico e insubstituível. A cada pessoa, organização e fundação que caminha conosco, o nosso mais profundo obrigado. Seguimos para 2026 com esperança, ambição e compromisso renovado — porque sabemos que as grandes transformações só acontecem quando são construídas em aliança.