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Matchfunding impulsiona pesquisa em proteínas alternativas e fortalece a inovação no Paraná

16 de julho de 2026

Desenvolver proteínas alternativas depende de boas ideias, mas também de condições concretas para que pesquisadores tenham acesso a financiamento, infraestrutura e redes de colaboração capazes de transformar conhecimento científico em inovação.

Foi com esse objetivo que o GFI Brasil e a Fundação Araucária lançaram a primeira iniciativa de matchfunding do país dedicada exclusivamente à pesquisa em proteínas alternativas. 

O Programa de Fomento à Pesquisa em Proteínas Alternativas: Inovação e Sustentabilidade no Paraná combina recursos filantrópicos e públicos para financiar pesquisas voltadas aos principais desafios tecnológicos do setor.

A iniciativa cria uma parceria estratégica que beneficia tanto o setor quanto o estado. Para o setor de proteínas alternativas, o programa ajuda a direcionar recursos para gargalos científicos e tecnológicos que precisam ser superados para que novos ingredientes e produtos cheguem ao mercado com melhor sabor, escala e custo. Para o Estado do Paraná, a parceria fortalece a capacidade de investir em ciência, tecnologia e inovação em áreas diretamente conectadas às suas competências locais, vocações produtivas e prioridades estratégicas.

Com investimento de aproximadamente R$ 2 milhões – sendo metade originada pela comunidade de doadores do GFI e a outra pela Fundação Araucária – quatro projetos de universidades paranaenses foram selecionados para desenvolver soluções nas áreas de fermentação, micoproteínas e agricultura celular. 

As pesquisas começaram em abril de 2026 e têm foco em tecnologias acessíveis e escalonáveis para o desenvolvimento de ingredientes e produtos análogos à carne.

Carne obtida por fermentação - Chunk

Um novo modelo para financiar ciência e inovação

Mais do que financiar projetos individuais, a iniciativa inaugura um novo modelo de colaboração entre filantropia e poder público para fortalecer a ciência brasileira em áreas estratégicas.

“O modelo amplia a capacidade de investimento e permite direcionar recursos para prioridades compartilhadas entre o estado e o setor. No Paraná, isso significa fortalecer áreas em que já existe competência instalada, como fermentação e agricultura celular, enquanto contribui para o desenvolvimento de soluções para desafios estratégicos das proteínas alternativas”
Ana Carolina Rossettini
Gerente de Desenvolvimento do GFI Brasil

Esse é um dos principais potenciais do programa desenvolvido pelo GFI Brasil: combinar recursos filantrópicos e públicos para gerar soluções que atendam, ao mesmo tempo, às necessidades do setor e às prioridades dos estados. As Fundações de Amparo à Pesquisa têm a missão de financiar ciência, tecnologia e inovação em seus territórios. Ao se conectarem a essa agenda, elas conseguem direcionar recursos para temas como inovação em alimentos, segurança alimentar, clima, meio ambiente, redução de emissões, uso mais eficiente de recursos naturais e desenvolvimento econômico baseado em conhecimento.

O projeto-pioloto do GFI Brasil

Para o The Good Food Institute Brasil, a parceria com as FAPs é uma importante estratégia para direcionar recursos, fortalecer a ciência nacional e acelerar o desenvolvimento de soluções em proteínas alternativas. O modelo permite que cada estado invista a partir de suas próprias necessidades e potencialidades, conectando universidades, pesquisadores, indústria, startups e cadeias produtivas locais.

Além de desenvolver soluções que podem beneficiar o próprio estado, os projetos apoiados também podem gerar conhecimento, tecnologias e novos negócios com impacto nacional e internacional. O Brasil reúne biodiversidade, capacidade científica, produção agrícola, indústria de alimentos e talento empreendedor para se tornar uma liderança global nesse campo. Para isso, é fundamental construir mecanismos capazes de transformar esse potencial em inovação concreta

O programa com a Fundação Araucária é um primeiro passo importante nessa direção. Ele mostra que é possível criar uma agenda compartilhada entre filantropia e investimento público para acelerar a pesquisa, fortalecer ecossistemas locais e abrir novos caminhos para o futuro da alimentação.

Conheça os projetos selecionados:

1. Produção de micoproteína a partir de resíduos agroindustriais

Coordenado pelo Dr. Edvaldo Antonio Ribeiro Rosa, Professor Titular de Microbiologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o projeto busca desenvolver um processo de produção de micoproteína utilizando subprodutos da indústria do amido e do setor sucroenergético.

A pesquisa avaliará formas de escalar esse processo e sua aplicação em alimentos análogos à carne, contribuindo para o desenvolvimento de ingredientes produzidos a partir de matérias-primas de baixo custo, empregando um fungo considerado seguro para a alimentação e maior aproveitamento de subprodutos agroindustriais.

Equipe do projeto

  • Coordenação: Dr. Edvaldo Antonio Ribeiro Rosa (PUCPR)
  • Pesquisadores: Dr. Luiz Fernando Bianchini (PUCPR) e Eduardo Sydney (Typcal)
  • Pesquisadoras em formação: Nicoly Subtil de Oliveira (Pós-doutoranda/PUCPR) e Juliane Furiatti Modesto (Doutoranda/PUCPR).

2. Inteligência Artificial para desenvolver novos ingredientes para agricultura celular

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a professora Dra. Carla Forte Maiolino Molento coordena o projeto RINO (Rotas inteligentes para novos

ingredientes aplicados a meios de cultivo na agricultura celular), que combina inteligência artificial e pesquisa experimental para identificar novos ingredientes vegetais destinados aos meios de cultivo utilizados na produção de carne cultivada.

A proposta pretende desenvolver formulações livres de insumos de origem animal utilizando resíduos, subprodutos vegetais e compostos obtidos por processos biotecnológicos. A expectativa é reduzir custos e acelerar a identificação de ingredientes promissores para a agricultura celular.

Segundo a Dra. Carla, os novos sistemas alimentares podem contribuir com nove dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Porém, o uso de insumos de origem animal representa um entrave técnico, econômico e ético da produção de alimentos via cultivo de células animais. Por isso, sua proposta é prospectar novos insumos vegetais, incluindo subprodutos, resíduos e suas combinações, de baixo custo e alta eficiência para utilização como ingredientes dos meios de cultivo para produção de carne celular, desenvolvendo simultaneamente uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) especificamente voltada à triagem pré-laboratorial de formulações com maior probabilidade de sucesso.

A equipe do projeto está em formação, com os editais das bolsas de pesquisa em aberto neste momento – são duas bolsas, uma de mestrado e uma de doutorado. O projeto será conduzido pelos bolsistas próprios em conjunto com a equipe do Laboratório de Zootecnia Celular – Zoocel, em que participam mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos dos projetos em andamento.

3. Desenvolvimento de insumos para meios de cultivo livres de soro fetal bovino

Coordenado pela Dra. Renata Ernlund Freitas de Macedo, Professora Titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o projeto busca desenvolver meios de cultivo utilizando insumos proteicos sustentáveis, como hidrolisados de farelo de soja e do fungo Rhizopus microsporus, aliados a fatores de crescimento recombinantes. 

O objetivo é desenvolver formulações escaláveis que contribuam para reduzir os custos da produção de carne cultivada, ampliar o uso de insumos nacionais e fortalecer soluções alinhadas à bioeconomia circular.

A pesquisa reúne uma equipe multidisciplinar formada por especialistas da PUCPR, UNICAMP, Embrapa Suínos e Aves, Universidade Estadual de Maringá (UEM) e da startup Biolinker, combinando expertise em biotecnologia, engenharia de tecidos, microbiologia, proteínas recombinantes e economia. Além do desenvolvimento tecnológico, o projeto prevê a formação de novos pesquisadores e o fortalecimento da colaboração entre universidades, instituições públicas e empresas para acelerar a inovação em agricultura celular.

Equipe do projeto

  • Coordenação: Dra. Renata Ernlund Freitas de Macedo (PUCPR)

  • Pesquisadores: Dra. Rosana Goldbeck (UNICAMP); Dra. Ana Paula Almeida Bastos (Embrapa Suínos e Aves); Dr. Edvaldo Antonio Ribeiro Rosa (PUCPR); Dra. Mona das Neves Oliveira (Biolinker); Dr. Julyerme Matheus Tonin (UEM).

  • Apoio técnico e científico: Dr. Guilherme Agostinis Ferreira (PUCPR); Dra. Karine Renata Dias Silveira (Embrapa Suínos e Aves); MSc. Bárbara Flaibam (UNICAMP).

4. Micélio como ingrediente para alimentos inovadores

Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), a professora Cristina Giatti Marques de Souza lidera um projeto que investiga o uso do micélio do cogumelo Pholiota adiposa na produção de novos alimentos. Nos últimos anos, o micélio,  estrutura vegetativa dos fungos filamentosos, têm despertado crescente interesse na indústria alimentícia devido às suas propriedades nutricionais, funcionais e tecnológicas.

O estudo utilizará fermentação submersa e resíduos agroindustriais para desenvolver ingredientes com potencial de aplicação em alimentos análogos à carne, explorando propriedades nutricionais e tecnológicas do micélio como alternativa sustentável às proteínas convencionais.

Equipe do projeto

  • Coordenação: Dra. Cristina Giatti Marques de Souza (UEM)
  • Pesquisadores: Dra. Rosane Marina Peralta, Dr. Rafael Castoldi e Dr. Tiago Tognolli de Almeida (UEM)
  • Pesquisadores em formação: Dr. José Rivaldo dos Santos Filho (Pós-doutorando/UEM) e Ederson Aparecido Gimenes da Rocha (Mestrando/UEM).

Investir em pesquisa para fortalecer o setor

O programa representa um investimento na construção de capacidades científicas em áreas estratégicas para o desenvolvimento das proteínas alternativas no Brasil a partir de 4 projetos cuidadosamente selecionados.

Ao conectar recursos públicos e filantrópicos, a iniciativa fortalece competências já existentes no Paraná, amplia oportunidades para pesquisadores e cria condições para que novos conhecimentos possam contribuir para a inovação na indústria de alimentos.

À medida que cresce a demanda por sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e diversificados, iniciativas como essa ajudam a aproximar ciência, desenvolvimento tecnológico e oportunidades para o país.

Esse projeto, assim como todo o trabalho do GFI Brasil, só é possível porque existe uma comunidade global de apoiadores que acredita no impacto e na urgência de transformar o sistema alimentar. 

Em um setor ainda em desenvolvimento, a filantropia tem um papel essencial: identificar gargalos técnicos, gerar e compartilhar conhecimento de forma aberta, reduzir riscos e criar conexões capazes de fomentar o desenvolvimento do setor.

Nesse contexto, o GFI Brasil atua como um articulador estratégico, reunindo o conhecimento técnico, a visão sistêmica e as conexões necessárias para aproximar pesquisadores, governos, fundações, empresas, startups e doadores em torno de uma agenda comum. É essa capacidade de juntar as pontas que permite transformar recursos em pesquisa, pesquisa em inovação e inovação em soluções para o Brasil e para o mundo.

Se você se interessou por essa iniciativa e quer saber mais sobre o programa com as FAPs, apoiar esse projeto ou conhecer outras formas de contribuir com o trabalho do GFI Brasil, entre em contato conosco: anar@gfi.org

Acompanhe o GFI Brasil e a Fundação Araucária.

Autora

Natalia Figueiredo

Analista de Comunicação

Jornalista, ambientalista, Social Media Ambassador do Global Landscape Forum e foi co-fundadora da Outlab, hub criativo de Comunicação de Impacto. Formada em Comunicação pela UFRRJ, Videojornalismo na Universidade de Columbia (EUA) e Pós-graduada em Big Data e Inteligência de Marketing pela ESPM desenvolve planejamento estratégico para marcas, gestão de projetos e consultoria em SEO. Foi repórter de O Dia, apresentadora do OutCast e contribuiu para o Nexo Jornal, Projeto Colabora e Le Monde Diplomatique Brasil escrevendo sobre cultura, tecnologia, sustentabilidade e direito das mulheres.

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