Radar de Oportunidades: confira editais e financiamentos em Proteínas Alternativas

O avanço das proteínas alternativas depende de ciência, escala e investimento. Embora o setor tenha acumulado importantes aprendizados nos últimos anos, ainda há gargalos tecnológicos que precisam ser superados para ampliar a qualidade dos produtos, otimizar processos produtivos, reduzir custos e tornar essas soluções mais acessíveis para a população. Nesse contexto, o financiamento público tem um papel decisivo: ele ajuda a reduzir riscos em etapas iniciais de pesquisa e desenvolvimento, fortalece a infraestrutura científica e cria condições para que universidades, ICTs, startups e empresas transformem conhecimento em inovação aplicada. De acordo com o relatório “Global Innovation Needs Assessment: Food System Methane”, para que o desenvolvimento do setor de proteínas alternativas ocorra e gere benefícios ambientais e para a saúde global, são necessários US$ 10,1 bilhões em investimentos anuais, sendo US$ 4,4 bilhões para pesquisa e desenvolvimento e US$ 5,7 bilhões para incentivos ao setor privado. Embora o número de chamadas públicas e privadas de financiamento dedicadas exclusivamente ao setor ainda seja limitado, pesquisadores, empresas e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) podem encontrar oportunidades relevantes em editais voltados a áreas como inovação em alimentos, bioeconomia, economia circular, biotecnologia, métodos alternativos ao uso de animais e desenvolvimento industrial. Esse foi o tema da live Radar de Oportunidades para Proteínas Alternativas, promovida pelo GFI Brasil, que reuniu especialistas da organização para apresentar editais abertos e recentes e discutir como diferentes perfis de projetos podem se conectar às prioridades dessas chamadas. A gravação do encontro está disponível ao final deste artigo. Oportunidades para diferentes perfis de projetos Durante a live, as especialistas Amanda Leitolis e Isabela Pereira destacaram que o primeiro passo para construir uma estratégia de captação de recursos é compreender que nem toda oportunidade menciona explicitamente proteínas alternativas. Em muitos casos, a aderência acontece por meio de desafios tecnológicos relacionados ao desenvolvimento de ingredientes, novos processos produtivos, fermentação, agricultura sustentável, economia circular ou biotecnologia. Em outras palavras, mais importante do que encontrar um edital específico para proteínas alternativas é identificar chamadas cujos objetivos sejam compatíveis com o estágio de desenvolvimento da tecnologia e com os resultados esperados pelo projeto. Onde estão as oportunidades para proteínas alternativas? Diversos editais contemplam temas estratégicos para o setor, como: inovação em alimentos; bioeconomia; economia circular; fermentação; agricultura sustentável; biotecnologia; métodos alternativos ao uso de animais; desenvolvimento industrial. Por isso, entender os objetivos de cada edital, o alinhamento da pesquisa e o grau de inovação da proposta é tão importante quanto cumprir todos os requisitos formais. 1. Finep Mais Inovação Brasil – Cadeias Agroindustriais Sustentáveis A primeira oportunidade apresentada durante a live foi a chamada Finep Mais Inovação Brasil – Rodada 2 – Cadeias Agroindustriais Sustentáveis. O edital apoia projetos voltados ao fortalecimento da indústria nacional, com destaque para pesquisa, desenvolvimento e inovação em alimentos. Entre as linhas temáticas, há oportunidades diretamente relacionadas às proteínas alternativas, incluindo o desenvolvimento de tecnologias para carne cultivada, como formulações de meios de cultivo grau alimentício livres de soro fetal bovino. Quem pode participar? Empresas brasileiras; participação obrigatória de ICTs como parceiras. Recursos Orçamento total de R$ 300 milhões; projetos entre R$ 5 milhões e R$ 40 milhões, dependendo do arranjo. Prazo Fluxo contínuo até 30 de setembro de 2026. 2. Chamada CNPq/MCTI nº 11/2026 – RENAMA e NAMs Outra oportunidade destacada foi a chamada do CNPq voltada ao fortalecimento da Rede Nacional de Métodos Alternativos (RENAMA). Embora não seja específica para proteínas alternativas, ela dialoga diretamente com pesquisas relacionadas à carne cultivada e outras tecnologias que dependem de modelos celulares avançados. O edital financia projetos envolvendo: Novas Metodologias de Abordagem (NAMs); modelos tridimensionais baseados em células humanas; sistemas microfisiológicos; métodos computacionais; validação de tecnologias alternativas ao uso de animais. Público-alvo Instituições integrantes da RENAMA. Recursos R$ 50 milhões. Prazo Submissões encerradas em 3 de julho de 2026. 3. Finep Mais Inovação Brasil – Economia Circular e Cidades Sustentáveis A terceira oportunidade apresentada mostra como proteínas alternativas podem dialogar com agendas mais amplas de sustentabilidade. O edital apoia projetos de desenvolvimento tecnológico voltados à economia circular, incentivando soluções que promovam adição, retenção e recuperação de valor em processos produtivos. Projetos relacionados ao aproveitamento de coprodutos, novos ingredientes, reaproveitamento de biomassa e otimização de cadeias produtivas podem encontrar aderência nessa chamada. Quem pode participar? Empresas brasileiras; ICTs parceiras obrigatórias. Recursos Orçamento total de R$ 150 milhões; projetos entre R$ 5 milhões e R$ 30 milhões. Prazo Fluxo contínuo até 31 de agosto de 2026. 4. Coefficient Giving: chamada internacional exclusiva para proteínas alternativas De todas as oportunidades apresentadas, esta é a única dedicada exclusivamente à pesquisa e desenvolvimento em proteínas alternativas. A organização Coefficient Giving pretende investir até US$ 10 milhões em projetos que reduzam barreiras técnicas para o setor. As prioridades incluem: redução de off-flavors em proteínas vegetais e obtidas por fermentação; desenvolvimento de alternativas lipídicas para melhorar sabor e textura; substituição de ovos; caracterização de sabores de espécies de peixes. Quem pode participar? A chamada é aberta para: universidades; institutos de pesquisa; empresas; organizações de P&D de qualquer país. Recursos Entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão por projeto. Prazo Inscrições até 10 de agosto de 2026. Mais oportunidades além dos editais Durante a live, o time do GFI Brasil destacou que novos editais são divulgados continuamente para a comunidade. Alguns exemplos recentes incluem: Desafio Bioinovação Amazônia; Chamada FAPEMIG/SEDE nº 011/2026 – Compete Minas; Programa Aurora, da CAPES, voltado à continuidade da trajetória de mães cientistas. Além das chamadas nacionais, também são compartilhadas oportunidades internacionais e editais regionais voltados a pesquisa, empreendedorismo e inovação. Como o GFI Brasil apoia quem busca financiamento O apoio do GFI Brasil não se limita à divulgação de oportunidades. A organização atua conectando pesquisadores, empresas e instituições, ajudando a identificar parceiros estratégicos, orientando sobre o ecossistema de proteínas alternativas e compartilhando prioridades tecnológicas que podem fortalecer propostas de pesquisa e inovação. Durante a live, também foi apresentada uma planilha colaborativa de networking, criada para aproximar participantes interessados nos mesmos editais e estimular a formação de parcerias entre universidades, startups,
No Dia Mundial da Segurança de Alimentos, o GFI Brasil apresenta estudos sobre carne cultivada e proteínas vegetais

No Dia Mundial da Segurança de Alimentos, o GFI Brasil apresenta dois estudos técnicos inéditos que reforçam a importância da segurança no setor de proteínas alternativas. Um deles traz uma análise aprofundada dos riscos e medidas de controle na produção de alimentos vegetais análogos à carne, incluindo planos APPCC para hambúrguer, frango, linguiça e peixe vegetal. O outro estudo, focado em carne cultivada, propõe um plano de segurança alimentar baseado em uma linha piloto de hambúrguer, identificando perigos e lacunas que exigem mais pesquisa.
GFI Brasil realiza Trilha de Capacitação sobre o setor de proteínas alternativas. Inscreva-se agora!

O GFI Brasil lançará a Trilha de Capacitação, uma série de eventos online e gratuitos entre maio e outubro, com o objetivo de formar profissionais para o setor de proteínas alternativas. A programação inclui workshops técnicos e de mercado, com foco em inovação, ciência e tendências do setor. O primeiro evento será em 29 de maio e abordará meios de cultivo celular para carne cultivada, em parceria com o MCTI.
Buscando financiamento de pesquisa? Conheça as novas chamadas do GFI Brasil e envie a sua proposta até 15 de junho!

Com o objetivo de levar a indústria nacional de proteínas alternativas a um novo patamar, o The Good Food Institute Brasil lança duas novas chamadas para Estudos Direcionados e convida pesquisadores de instituições de pesquisa, startups e empresas a enviarem propostas – inclusive em parceria! A primeira RFP (Request for Proposal) foca na utilização de subprodutos agroindustriais para fermentação e cultivo celular. A segunda, por sua vez, privilegia a obtenção de ingrediente protéico otimizado a partir da farinha de soja desengordurada. Esses dois temas buscam fortalecer o setor, reduzindo o custo e expandindo com qualidade a produção e comercialização dos produtos plant-based no Brasil. Acesse o edital completo por meio deste link, e envie a sua proposta até 15/06/2025, pelo e-mail ciencia@gfi.org. Conheça os detalhes de cada linha: Estudo para estabelecer rotas tecnológicas para utilização de subprodutos da cadeias agroindustriais para produção de proteínas alternativas por fermentação e cultivo celular O principal objetivo desta linha é avaliar o potencial de cadeias produtivas e a viabilidade técnico-econômica da conversão de subprodutos agroindustriais – como cana-de-açúcar, milho e laranja. Além disso, o projeto selecionado deve propor ações para engajar pesquisadores, indústrias, setor público e reguladores. Confira os objetivos específicos: 1. Identificar subprodutos nas principais cadeias produtivas e selecionar ao menos duas com maior potencial de aproveitamento, considerando viabilidade tecnológica e barreiras existentes. 2. Desenvolver roadmaps tecnológicos para ao menos duas cadeias, categorizando as tecnologias de conversão por escala, custo e uso de recursos, com fluxogramas voltados à produção por fermentação ou carne cultivada. Estudo para Identificar Rotas Tecnológicas de Obtenção de Ingrediente Proteico Otimizado a Partir de Farinha de Soja Desengordurada Esta chamada objetiva aprimorar o sabor e custo-benefício dos análogos cárneos produzidos com ingrediente otimizado obtido da farinha de soja desengordurada, uma matéria-prima com grande versatilidade e potencial de escalonamento no cenário brasileiro. Entenda as metas específicas: 1. Aprimorar o perfil sensorial e nutricional da farinha de soja desengordurada, analisando como diferentes tecnologias afetam suas propriedades tecnofuncionais. 2. Compreender as propriedades deste insumo, de modo a orientar sua aplicação ideal em diferentes formulações. 3. Elaborar um roadmap com foco em tecnologias escalonáveis e compatíveis com a realidade produtiva nacional, comparando a viabilidade econômica dessas inovações. Instruções para inscrição As propostas devem focar em soluções para a indústria, com atenção à viabilidade técnico-financeira durante a execução. Encaminhe seu projeto em PDF para o e-mail ciencia@gfi.org até o dia 15/06/2025. Os resultados serão divulgados até 01/07/2025. O início do projeto está previsto para outubro de 2025. Por que se inscrever? Essas chamadas são uma oportunidade estratégica para que centros de pesquisa, empresas e universidades ajudem a transformar o setor plant-based e de carne cultivada no Brasil, fortalecendo o posicionamento do país na oferta de produtos mais competitivos, acessíveis e nutritivos.Para conhecer os detalhes da submissão, acesse o edital! Em caso de dúvidas, contate nossa equipe: ciencia@gfi.org.
Novas fontes e sistemas de produção de alimentos: principais resultados do relatório FAO 2023

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou recentemente o relatório da Reunião Técnica de Prospectiva de Segurança de Alimentos sobre Novas Fontes e Sistemas de Produção de Alimentos de 2023, que aconteceu em novembro do mesmo ano. Este encontro contou com a presença de especialistas globais, incluindo Graziele Karatay, Especialista de Ciência e Tecnologia do GFI Brasil, para discutir os desafios e oportunidades relacionados à segurança dos alimentos plant-based, e das tecnologias de fermentação de precisão e impressão 3D de alimentos. O documento sintetiza a literatura existente nessas novas fontes e sistemas de produção de alimentos, abordando tanto os riscos à segurança de alimentos, quanto outros aspectos relevantes, como características nutricionais, impactos ambientais e percepção dos consumidores. 1. Questões de Segurança de Alimentos Esse tópico emergiu como um dos principais pontos de discussão no desenvolvimento de novos alimentos e sistemas de produção e os principais pontos destacados no relatório nas três áreas são: Plant-based Os perigos de segurança de alimentos são semelhantes aos dos alimentos convencionais. Os consumidores podem erroneamente considerar os produtos não cozidos como seguros. Uma gestão adequada da segurança de alimentos pode reduzir significativamente os riscos, como microrganismos patogênicos e de deterioração, e contaminantes químicos. Fermentação de precisão As etapas de produção são geralmente bem conhecidas e controladas. Perigos potenciais: crescimento de microrganismos patogênicos, contaminantes químicos, alergenicidade. A seleção rigorosa de cepas, o monitoramento adequado e o cumprimento das diretrizes de segurança de alimentos podem reduzir os riscos. Impressão 3D de alimentos Fatores-chave para prevenir o crescimento microbiano: Parâmetros para impressão, processamento, armazenamento e condições de formulação dos ingredientes de entrada. O projeto higiênico do equipamento é crítico para evitar a lixiviação (processo pelo qual substâncias indesejadas, como contaminantes, são transferidas do equipamento, no caso a impressora, para o alimento). 2. Características Nutricionais Plant-based Possíveis benefícios para a saúde: melhoria nos marcadores cardiometabólicos e na saúde intestinal. Possíveis deficiências nutricionais: vitamina B12 e certos aminoácidos (como metionina e cisteína, no caso de alimentos à base de leguminosas). Fermentação de precisão Pode alterar as propriedades dos produtos nativos (por exemplo, reduzir a alergenicidade e aumentar a biodisponibilidade) ou produzir novos produtos. Impressão 3D de alimentos A dosagem precisa de vários ingredientes ou nutrientes pode ajudar a atender às necessidades nutricionais individuais. 3. Aspectos Ambientais Plant-based Alimentos à base de plantas podem ter uma pegada ambiental menor do que os alimentos de origem animal, mas comparações diretas são complexas. Fermentação de precisão Menor impacto ambiental em comparação com laticínios convencionais (por exemplo, emissões de metano e agroquímicos). A produção de alimentos em ambientes fechados e controlados não é afetada pelas condições climáticas. Alto consumo de eletricidade. Impressão 3D de alimentos Os aspectos de sustentabilidade ambiental da impressão 3D de alimentos permanecem inexplorados. 4. Percepção do Consumidor Plant-based Interesse do consumidor em experimentar alimentos à base de plantas. Percepção de serem “altamente processados”. Reduzir os custos e aumentar a diversidade de produtos melhorará a adoção pelos consumidores. Fermentação de precisão Disposição do consumidor para experimentar produtos com ingredientes feitos por fermentação de precisão. Segurança, nutrição, sabor e impactos ambientais são fundamentais para a aceitação do consumidor. Impressão 3D de alimentos As percepções dos consumidores são influenciadas pela falta de conhecimento sobre alimentos impressos em 3D e pela terminologia técnica (por exemplo, vistos como “não naturais” e “sintéticos”). Conclusão O relatório da FAO oferece uma visão abrangente dos avanços e desafios na produção de alimentos plant-based, obtidos por fermentação de precisão e impressão 3D, reafirmando a importância de regulamentações robustas, desenvolvimento contínuo e uma comunicação clara com o consumidor. O GFI Brasil segue acompanhando esses avanços para garantir que essas inovações possam ser amplamente implementadas, com segurança e benefícios claros tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública. Acesse o relatório completo aqui. A FAO também produziu uma série de 4 vídeos a partir de entrevistas feitas com os especialistas durante a reunião técnica. Confira a playlist no Youtube. https://www.youtube.com/watch?v=1N7KhFl5bD8&list=PLzp5NgJ2-dK7OoCcSAP-tyVzmuiCsEo8G&index=5
Novo estudo do GFI Brasil explora o potencial da aplicação de algas em produtos de proteínas alternativas

O GFI Brasil acaba de lançar a publicação técnica “Potencial de Aplicação de Algas em Produtos de Proteínas Alternativas”, trazendo uma contribuição inédita ao cenário nacional. Por ser a primeira publicação do Brasil sobre o tema, ela oferece uma revisão abrangente e detalhada da literatura disponível, contextualizando o leitor sobre a relevância e o potencial das algas no setor alimentar e como ingredientes inovadores na produção de produtos de proteínas alternativas. Desenvolvido para leitores que estão se familiarizando com o tema e para aqueles que buscam um conhecimento mais aprofundado, o estudo é dividido em duas partes principais: a primeira é dedicada a fornecer uma base sólida sobre o tema, abordando a classificação das algas, métodos de cultivo e coleta, além dos usos alimentares convencionais e questões de segurança alimentar, destacando como as algas podem ser integradas na narrativa das proteínas alternativas. A segunda parte do estudo explora o potencial nutricional e tecnológico das algas, ressaltando suas propriedades funcionais que as tornam uma fonte promissora de ingredientes para produtos plant-based. Além disso, são discutidos os aspectos de sustentabilidade associados ao uso de algas. A publicação também identifica diversas oportunidades de pesquisa, incentivando a exploração das algas como ingredientes-chave para a criação de novos produtos no mercado de proteínas alternativas. Ela foi elaborada não apenas para cientistas e pesquisadores, mas também para profissionais do mercado, oferecendo uma visão completa das vantagens tecnológicas, nutricionais e sustentáveis que as algas podem proporcionar. Resultados: Os resultados apresentados revelam que as algas têm um grande potencial como fonte de proteínas alternativas, com capacidade de contribuir significativamente para a sustentabilidade e diversificação da produção alimentar. Além de seus benefícios à saúde humana, as algas possuem propriedades funcionais e tecnológicas que as tornam uma fonte promissora e versátil para a produção de alimentos mais saudáveis e sustentáveis. As proteínas são essenciais na formulação de alimentos vegetais análogos à carne, não só pelo valor nutricional, mas também pelas suas funcionalidades tecnológicas. As algas são uma fonte viável de proteínas, com uma composição de aminoácidos essenciais que atende aos requisitos da FAO, comparável a outras fontes como soja e ovo. As microalgas, em particular, podem conter entre 40-60% de proteína (base seca), oferecendo aminoácidos essenciais e propriedades nutricionais e funcionais, como baixa alergenicidade e boa digestibilidade. Além disso, possuem propriedades físico-químicas ideais para várias aplicações, incluindo solubilidade, emulsificação, geleificação e formação de espuma. Algumas macroalgas podem ser usadas como substitutos do sal em alimentos, ajudando a reduzir o teor de sódio, e seus pigmentos, como carotenos e xantofilas, são amplamente utilizados como corantes na indústria alimentícia. A produção de algas como fonte de proteínas apresenta várias vantagens em relação a outras fontes vegetais. As algas têm crescimento e produção mais rápidos, maior eficiência fotossintética, baixo consumo de água e não competem por terras aráveis. Além disso, possuem baixo teor de lignina, facilitando a extração, e podem armazenar carbono, contribuindo para uma produção sustentável. Com oceanos e mares cobrindo mais de 70% da superfície terrestre, há um vasto potencial para o cultivo sustentável e a colheita em grande escala de algas. Acesse a publicação
Alt Protein Project continua a crescer na América Latina!

Com orgulho, anunciamos a entrada de novos grupos universitários ao Alt Protein Project, reforçando nossa missão de acelerar o desenvolvimento de proteínas alternativas em todo o mundo. Este ano, quatro novas instituições no Brasil, uma na Argentina e uma no Chile se unem ao movimento: Brasil: Argentina: Chile: Esses novos grupos se juntam aos pioneiros da Unicamp (SP) e UFMG (MG), que já fazem parte do projeto desde o ano passado, ampliando ainda mais a nossa rede de jovens líderes e pesquisadores comprometidos com um futuro alimentar mais sustentável. O que é o Alt Protein Project? O Alt Protein Project é uma iniciativa global liderada pelo The Good Food Institute que visa capacitar estudantes universitários e pesquisadores a se tornarem líderes no campo das proteínas alternativas. Fundado em 2020, o projeto começou como uma comunidade conectada por cinco universidades e, desde então, cresceu para englobar mais de 50 grupos em diversas instituições de ensino ao redor do mundo, com mais de 450 membros ativos. Objetivos e Missão O principal objetivo do Alt Protein Project é acelerar o desenvolvimento e a adoção de proteínas alternativas — incluindo carnes, laticínios e ovos produzidos a partir de plantas, fermentação ou cultivo celular — como uma solução sustentável para os desafios globais relacionados à segurança alimentar, saúde pública e mudanças climáticas. O projeto busca atingir esses objetivos através de várias frentes: Impacto Global Desde a sua criação, o Alt Protein Project tem sido uma força motriz no avanço das proteínas alternativas, contribuindo significativamente para o aumento da conscientização, pesquisa e inovação nesta área. Com grupos de estudantes em universidades renomadas em países como Estados Unidos, Brasil, Argentina, Chile, Suíça, Turquia, Portugal, Malásia, e Japão, o projeto está ajudando a construir uma nova geração de líderes comprometidos com a criação de um sistema alimentar mais saudável, sustentável e justo. Participação e Expansão O Alt Protein Project está constantemente expandindo sua rede de grupos universitários, e qualquer estudante interessado pode se juntar ao movimento. O projeto oferece suporte para a criação de novos grupos, fornecendo recursos educacionais, treinamento e oportunidades de networking para que os estudantes possam contribuir efetivamente para o desenvolvimento de proteínas alternativas em suas regiões. Se você é aluno universitário e gostaria de se juntar ao nosso movimento, entre em contato conosco através do e-mail ciencia@gfi.org para dúvidas e apoio! Saiba mais sobre a iniciativa: Vídeo de apresentação Explore mais sobre o impacto do projeto: Impacto do Alt Protein Project
GFI Brasil no I Congresso Brasileiro de Biotecnologia Industrial!

O I Cobbind, que acontece em Florianópolis (SC) entre os dias 25 e 28 de agosto de 2024, une oficialmente os três eventos mais importantes na área de biotecnologia industrial do Brasil: o XXIII Simpósio Nacional de Bioprocessos (SINAFERM), o XIV Seminário de Hidrólise Enzimática de Biomassas (SHEB) e o XIV Seminário Brasileiro de Tecnologia Enzimática (ENZITEC). E, na manhã do dia 28, o GFI Brasil vai realizar o evento “A Biotecnologia na Construção de um Sistema Alimentar Mais Sustentável”, para promover a ciência das proteínas alternativas, com foco nas tecnologias de fermentação e carne cultivada, e apresentar para os pesquisadores e estudantes do campo da biotecnologia as oportunidades para atuar nessa área. Nossos painéis incluirão discussões sobre o cenário, desafios e perspectivas para jovens pesquisadores e as possibilidades de carreira neste novo setor. Este é um convite para se conectar e explorar as oportunidades com os maiores especialistas da atualidade! INSCREVA-SE Confira os detalhes do evento do GFI Brasil: Data: 28 de agosto de 2024 (quarta-feira) Horário: 9h30 às 12h30 Local: Costão do Santinho Resort, Florianópolis/SC Programação: 9h30 – Abertura: O que são proteínas alternativas e por que precisamos delas Gustavo Guadagnini – Presidente do The Good Food Institute Brasil 9h40 – Painel I: Perspectivas da Biotecnologia para o Desenvolvimento de Proteínas Alternativas no Brasil (50 min)Painelistas: – Ms. Isabela Pereira – Analista de Ciência e Tecnologia do The Good Food Institute Brasil – Dr. Germano Reis – Professor da Escola de Administração da Universidade Federal do Paraná – Dr. Servio Tulio – Professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP- FGV) – Dra. Amanda Leitolis – – Especialista de Ciência e Tecnologia Sênior do The Good Food Institute BrasilMediadora: Ms. Cristiana Ambiel – Gerente de Ciência e Tecnologia do The Good Food Institute 10h30 – Perguntas da plateia (10 min) 10h40 – Painel II: Mesa Redonda: Potencial e Desafios da Fermentação na Produção de Alimentos Seguros e Sustentáveis (50 min)Painelistas: – Dra. Rosana Goldbeck – Professora do Departamento de Engenharia e Tecnologia de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos da UNICAMP – Dr. Eduardo Bittencourt Sydney – Co-fundador e CTO da Typical – Dra. Anna Rafaela Cavalcante Braga – Professora do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de São Paulo– Dra. Jaciane Lutz Ienczak – Professora adjunta do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Santa CatarinaMediadora: Ms. Isabela Pereira – Analista de Ciência e Tecnologia do The Good Food Institute Brasil 11h30 – Perguntas da plateia (10 min) 11h40 – Painel III: Prioridades de Pesquisa para que a Carne Cultivada Chegue ao Prato de Todos e Recomendações para Jovens Cientistas que Buscam Construir um Novo Sistema Alimentar (40 min)Painelistas: – Dr. Mark Post – Professor de Sustainable Industrial Tissue Engineering, Maastricht University – Dra. Silvani Verruck – Professora do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina – Ms. Jorge Guadalupe – Doutorando em Biologia Celular pela Universidade Federal de Minas Gerais e Presidente do The UFMG Alt Protein ProjectMediadora: Dra. Amanda Leitolis – Especialista de Ciência e Tecnologia Sênior do The Good Food Institute Brasil 12h20 – Fechamento do evento INSCREVA-SE Venha descobrir as oportunidades e os desafios desta nova cadeia de produção de alimentos. Sua presença é fundamental para construirmos juntos um sistema alimentar mais sustentável!
Estudo da UNIFESP aponta que 80% das carnes vegetais disponíveis no mercado brasileiro têm boa qualidade nutricional

O estudo publicado na Current Research in Food Science, uma revista de alto fator de impacto na área de Ciência e Tecnologia de alimentos, analisou a qualidade nutricional de produtos vegetais análogos à carne e os comparou com seus correspondentes de origem animal. De acordo com a pesquisa, 80% dos produtos disponíveis no mercado brasileiro possuem boa qualidade nutricional de acordo com o indicador Nutri-Score. Conduzido pelo time da Profa. Dra Veridiana de Rosso da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e financiado pelo The Good Food Institute Brasil (GFI Brasil), a pesquisa avaliou as informações nutricionais declaradas nos rótulos de 349 alimentos vegetais análogos à carne e 351 produtos cárneos, como hambúrgueres, almôndegas, empanados, embutidos, quibe, kaftas, salsicha, linguiça, mortadela, bacon, entre outros, no período de julho de 2022 a junho de 2023. Para analisar a qualidade nutricional desses produtos, além das informações de rotulagem, foram utilizados diferentes indicadores, entre eles o Nutri-Score (utilizado em países europeus, como Bélgica, França, Espanha, Holanda, Suíça e Alemanha), a classificação NOVA e o Perfil Nutricional estabelecido pela RDC 429/2020 da ANVISA (chamado de Lupa). A NOVA classifica os alimentos pelo grau de processamento e quantidade de ingredientes; o Nutri-Score avalia a presença de nutrientes desejáveis (como proteínas e fibras) e menos desejáveis (como teores de gordura saturada, açúcar, sal e alto valor energético) e a rotulagem nutricional frontal estabelecida pela RDC 429/2020 da ANVISA identifica os produtos com alto teores de três nutrientes: açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio. Principais Resultados: Os resultados do estudo demonstraram que a qualidade nutricional dos alimentos vegetais análogos à carne foi melhor representada por indicadores como Nutri-Score e Perfil Nutricional estabelecido pela RDC 429/2020 da ANVISA do que pela NOVA, uma vez que os dois primeiros são os perfis que atuam de forma mais eficiente para definir se um alimento tem boa qualidade nutricional. De acordo com a Dra. Graziele Bovi Karatay, especialista do GFI Brasil, o fato de ambos os produtos de origem animal e vegetal serem classificados como ultraprocessados, mas terem resultados diferentes nos outros indicadores de qualidade nutricional, demonstra que o conceito de ultraprocessado não representa adequadamente os atributos de qualidade nutricionais dos alimentos vegetais análogos à carne. “Mesmo sendo classificados como ultraprocessados, em função do grau de processamento e quantidade de ingredientes, os alimentos vegetais análogos à carne se diferem nutricionalmente dos demais alimentos ultraprocessados, sejam de base vegetal ou animal. Portanto, não é adequado classificar e avaliar a qualidade nutricional dos alimentos vegetais análogos à carne da mesma forma que são classificados e avaliados os demais produtos ultraprocessados.” explica a especialista do GFI. O estudo avaliou ainda outros dois indicadores de qualidade: (1) o modelo de perfil nutricional da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que define quando os produtos são ricos em açúcares, gorduras, gorduras saturadas, gorduras trans e sódio e é baseado nas metas de ingestão de nutrientes para a população e (2) uma classificação desenvolvida especificamente para o estudo considerando a classificação pelo Nutri-Score e NOVA. O estudo também trouxe informações sobre os nutrientes presentes nos alimentos analisados, quanto à: Gordura saturada, ácidos graxos e sódio: Proteínas: Segundo a Dra Veridiana, essa variação reforça o quanto seria oportuna a definição de uma regulamentação específica para os alimentos vegetais análogos à carne no Brasil, principalmente em relação à qualidade nutricional e ao perfil de identidade. O mercado de produtos cárneos é bem regulamentado, e o perfil de identidade e qualidade foi recentemente revisado, principalmente no que diz respeito aos níveis mínimos de proteína exigidos para hambúrgueres de carne (15%), quibe (11%), almôndegas (12%) e presunto (16%). A definição desta regulamentação para os alimentos vegetais análogos faz parte da Agenda Regulatória 2024-25 da Anvisa e a indústria aguarda essa definição para poder balizar seus produtos. Ainda de acordo com a pesquisadora, uma recente atualização da legislação brasileira, incluiu a exigência de um perfil específico de aminoácidos indispensáveis para o uso de alegações nutricionais proteicas (histidina: 15 mg /g de proteína; isoleucina: 30 mg/g; leucina: 59 mg/mg: lisina: 45 mg/g; metionina + cisteína: 22 mg/g, fenilalanina + tirosina: 38 mg/g, ; triptofano: 6 mg/g e valina: 39 mg/g). Em geral, leguminosas como soja, ervilha, grão-de-bico, feijão e cereais como trigo e quinoa, que normalmente são empregados como fontes de proteína em análogos de carne no Brasil, apresentam diferentes escores de aminoácidos indispensáveis digestíveis (DIAASs). As proteínas de batata e soja são classificadas como proteínas de alta qualidade com valores médios de DIASS equivalentes a 100 e 91, respectivamente. Além disso, uma estratégia interessante para o desenvolvimento de alimentos cárneos plant-based é que as proteínas da soja e da batata possam complementar uma ampla gama de proteínas vegetais para compensar as limitações indispensáveis dos aminoácidos. A combinação de proteína de arroz:feijão (2:1), por exemplo, tem potencial para alcançar eficiência nutricional ideal quando combinada apenas com proteínas vegetais ou quando suplementada com metionina e cisteína + lisina. Fibras: Conclusões: Segundo a Dra. Veridiana, o estudo permite recomendar que os consumidores escolham o indicador representado pela rotulagem nutricional frontal brasileira (lupa) para escolherem os alimentos vegetais análogos à carne. “Essa recomendação se justifica especialmente devido à excelente concordância entre este indicador e o Nutri-Score, por terem sido capazes de diferenciar efetivamente produtos com baixa qualidade nutricional. Já a NOVA, ou a denominação de ultraprocessados, não teve este mesmo desempenho, portanto não é um indicador adequado para representar os atributos de qualidade nutricional dos alimentos vegetais análogos à carne.”, conclui. Dra Veridiana reforça que, embora os indicadores de Qualidade Nutricional utilizados neste estudo sejam importantes para avaliar a qualidade nutricional dos produtos cárneos vegetais, eles não cobrem todos os aspectos nutricionais importantes quando se pretende substituir produtos cárneos, o que deve envolver uma abordagem multifacetada, incluindo análise de macronutrientes, avaliação sensorial e estudos de digestibilidade. Além disso, a presença de nutrientes positivos, como vitaminas B, ferro, zinco e fibras solúveis e insolúveis, e a boa qualidade proteica devem ser considerados como diferenciais de produtos cárneos vegetais nutricionalmente adequados. “Assim, esse estudo fornece insights valiosos
Amplie seu conhecimento sobre proteínas alternativas com as novas aulas do curso do GFI Brasil

O curso online “A Ciência das Proteínas Alternativas”, ofertado gratuitamente pelo The Good Food Institute Brasil, acaba de ser enriquecido com novos conteúdos para ampliar seu conhecimento sobre esse universo. O que tem de novo?Nosso programa educacional, já reconhecido por explorar as as tecnologias que estão revolucionando a forma como produzimos alimentos, agora inclui novas aulas focadas em Tópicos Avançados em proteínas alternativas, além de insights sobre Inovação e Mercado. Estas adições são projetadas para aprofundar seu entendimento sobre essas tecnologias emergentes e as tendências de mercado, essenciais para qualquer pessoa interessada em manter-se atualizada sobre a transformação da indústria alimentícia. Para quem é o curso?O curso é aberto a todos que quiserem aprender sobre ciência, tecnologia e inovação em proteínas alternativas, mas é especialmente direcionado a alunos de graduação, pós-graduação e profissionais da indústria alimentícia, biotecnologia, e áreas correlatas. Cada aula foi meticulosamente planejada para enriquecer seu conhecimento e prepará-lo para os desafios e oportunidades na indústria de alimentos do futuro. O que esperar do conteúdo?O curso agora é dividido em três módulos: Aulas Básicas sobre a Ciência das Proteínas AlternativasEste módulo inicial consiste em 9 aulas, cada uma com aproximadamente 15 minutos, abordando os fundamentos das proteínas alternativas. As aulas incluem conteúdos como os desafios e soluções para produzir proteínas suficientes para alimentar 10 bilhões de pessoas, o conceito de carne, as tecnologias das proteínas alternativas e as questões críticas para o desenvolvimento da carne cultivada, assim como biomateriais e bioprocessos aplicados. Tópicos Avançados em Proteínas AlternativasEste módulo novo avança para tópicos mais específicos com 4 aulas de aproximadamente 20 minutos cada, destinadas a um público com conhecimento prévio ou interesse especializado. – Biorreatores e Desenvolvimento de Bioprocessos: se aprofunde na tecnologia da fermentação e nos detalhes de bioprocessos aplicados à carne cultivada, desde a seleção e desenvolvimento de cepas, os meios de cultivo ao escalonamento de processos, tipos de biorreatores e processos de downstream. – Uso de ingredientes à base de algas em proteínas alternativas: descubra o potencial nutricional das algas e como elas podem ser utilizadas na produção de proteínas alternativas. – Texturização de análogos cárneos feitos de plantas: Entenda mais sobre as tecnologias e os processos empregados para texturizar carnes feitas de plantas, uma característica crucial para satisfazer as preferências sensoriais dos consumidores. – Análogos cárneos feitos de fungos (Micoproteínas): Explore o processo de fermentação de biomassa para a obtenção de carnes feitas de fungos, uma tecnologia promissora na indústria. Inovação e Mercado de Proteínas AlternativasCom uma única aula de aproximadamente 20 minutos, este módulo fornece insights sobre o mercado de alimentos plant-based no Brasil. – Percepção do consumidor brasileiro sobre alimentos plant-based: Entenda como o consumo de alimentos à base de plantas está se desenvolvendo no Brasil, analisando hábitos, tendências comportamentais e outros fatores que influenciam as decisões de compra. Como participar?A participação é simples: preencha o cadastro e assista às aulas no seu próprio ritmo. Para obter a certificação de conclusão, complete o curso em até seis meses e responda ao quiz final. CertificadosAo concluir cada módulo do curso, você receberá certificados específicos, validando sua expertise e dedicação ao aprendizado. Pronto para começar?Não perca esta oportunidade única de ampliar seus conhecimentos em proteínas alternativas e liderar a vanguarda da inovação alimentar! Inscreva-se!